Capítulo I - Questionamentos
Para ambientar em que ponto estou, seja de treino, seja de descobertas dentro do assunto, tenho que separar cada post em dois tópicos. Um para o que descubro, estudo e acredito, com os erros e acertos anteriores;outro para o que efetivamente foi realizado no treino anterior.
Assim explicado, vamos ao primeiro capítulo de uma pergunta sem resposta completa: por que eu treino diferente?
Não posso responder que está na minha natureza, mas com certeza está na minha formação. A eterna desconfiança vem de berço. Sim, do berçário da maternidade. No primeiro exame de sangue, o resultado foi B+. Meu pai esbravejou de imediato:
- Então não é meu filho!
Sendo ele do tipo A e minha mãe do tipo O, um filho do tipo B seria do leiteiro. Teste refeito, resultado corrigido para A+.
Pensam que acabou aí? Enganam-se. Pois saibam que durante 14 anos corri um risco de vida terrível. Aos 14 anos realizei um novo exame de sangue. E o resultado foi estarrecedor. A-. Negativo. Qualquer transfusão que necessitasse nesses 14 anos causaria a minha morte. Durante quase metade da minha vida até então eu não poderia ter sofrido um acidente grave. Não tenham dúvida. Está no sangue "meu ódio a ciência e meu horror pela tecnologia" (Luiz Buñuel), apesar de ser um tecnólogo.
Além disso, fui criado por uma família de transgressores e negadores da realidade. Meu pai, um militante de fato contra a ditadura, é uma autoridade em Gaston Bachelard, filósofo francês que defendia a negação das afirmações científicas vigentes para avanço da mesma. Bem, a grosso modo, pra resumir o que seria grande demais.
Minha mãe possui uma dissertação de mestrado que diz que a renúncia de Jânio Quadros foi completamente diferente do que eu e você aprendemos na escola, ou na TV, ou em qualquer lugar.
Voltando ao assunto 'corrida', no 1o semestre de 2009 estive na minha empreitada para completar a meia maratona Caixa do Rio de Janeiro, realizada em junho. A preparação foi feita da seguinte maneira. Durante a semana eu realizava 1 treino leve (5 a 7km no Maracanã), 1 intervalado (geralmente no aterro) e 1 tempo (8km em copa). Fui em tudo quanto foi site de corrida, fiz umas 10 planilhas dessas genéricas. Na metade do período de treino, chegou um livro gigante que eu havia encomendado. Ali encontrei mais planilhas de vários treinadores de renome. Tirei a média disso tudo e usei pra mim. Vale lembrar que eram todas muito parecidas, o que me confortava na efetividade. Para o domingo, o treino logo era ditado pelo meu pai, que além de médico e meu técnico na época de ping pong, já completou 6 maratonas. Cheguei ao máximo de 24km em longos.
No entanto, volta e meia eu me deparava com dores nas canelas. A explicação mais sensata na época era que eu não estava aquecendo corretamente.
No entanto, comecei a questionar algo nas planilhas. Se eu tenho que correr 8km num ritmo de 4:50/km *, a planilha não quer saber se eu dormi bem ou mal, se trabalhei ou descansei. Ela quer 8km num ritmo de 4:50/km. E eu que me esforce mais se tive noitada na noite anterior.
Estaria certo isso? O esforço maior pelo mesmo resultado vai causar a mesma melhoria?
A outra pergunta que me fiz veio da época em que eu nadava. Era especialista em 800m e 1500m, considerado longa distância para piscina. Nos treinos que meu técnico chamava de 'resistência anaeróbica', com tiros de 400m, eu rendia pouco e ele não se importava, porque eu devia render, de fato, em trabalhos aeróbicos. Lembrando isso, perguntei a mim mesmo: por que 1 treino anaeróbico por semana se a meia maratona, ainda mais para amador, é 99% aeróbica?
Só restava uma coisa a fazer. Perguntar, buscar, estudar.
* 4:50/km é uma medida que significa correr um ritmo capaz de cumprir a distância de um quilômetro em 4 minutos e 50 segundos.
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Treino em ritmo tranquilo por 45 minutos no maracanã, ainda na fase de adaptação ao novo tênis e a nova pisada, uma coisa ainda me afeta. Apesar do sumiço completo das dores nas canelas, mesmo que eu já comece a corrida em ritmo decente, e da plena diminuição do incômodo na região do ligamento colateral lateral do joelho esquerdo, os pés ficam dormentes após 35 minutos de corrida.
Resolvi radicalizar e ver se estava correndo corretamente. No último quilômetro, tirei o tênis e corri descalço. A dormência foi diminuindo, o prazer aumentou, e eu tive que olhar fixamente pra frente de vergonha porque todos me olharam espantados por ter corrido descalço.
Esse assunto será abordado em alguns capítulos pra frente.
Até amanhã. Hoje é dia de voltar aos longos na lagoa (pelo menos tentar até o joelho dar sinal de vida). Estou na dúvida do calçado que utilizarei. Adizero Pro com meia, sem meia ou o Wave Inspire, que dos modelos para pisar com o calcanhar que tenho, é o mais fino, ainda que o amortecimento dito pra ele ja tenha vencido.