Umidade Relativa

Voltar ao país de origem já deu. Agora é chegar a maratona e a transformação pessoal que o treino causa.

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Já vai

Tenho até o capítulo VI escrito, mas está no laptop. Assim que conseguir, passo pra cá.

Ah!

Eu não faço revisão nem nada. Estou escrevendo como sai o pensamento. Pode sair curto, longo, mas de forma alguma estou me preocupando com a forma. É exatamente o que sai da cabeça.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Correndo diferente

Capítulo I - Questionamentos

Para ambientar em que ponto estou, seja de treino, seja de descobertas dentro do assunto, tenho que separar cada post em dois tópicos. Um para o que descubro, estudo e acredito, com os erros e acertos anteriores;outro para o que efetivamente foi realizado no treino anterior.

Assim explicado, vamos ao primeiro capítulo de uma pergunta sem resposta completa: por que eu treino diferente?

Não posso responder que está na minha natureza, mas com certeza está na minha formação. A eterna desconfiança vem de berço. Sim, do berçário da maternidade. No primeiro exame de sangue, o resultado foi B+. Meu pai esbravejou de imediato:

- Então não é meu filho!

Sendo ele do tipo A e minha mãe do tipo O, um filho do tipo B seria do leiteiro. Teste refeito, resultado corrigido para A+.

Pensam que acabou aí? Enganam-se. Pois saibam que durante 14 anos corri um risco de vida terrível. Aos 14 anos realizei um novo exame de sangue. E o resultado foi estarrecedor. A-. Negativo. Qualquer transfusão que necessitasse nesses 14 anos causaria a minha morte. Durante quase metade da minha vida até então eu não poderia ter sofrido um acidente grave. Não tenham dúvida. Está no sangue "meu ódio a ciência e meu horror pela tecnologia" (Luiz Buñuel), apesar de ser um tecnólogo.

Além disso, fui criado por uma família de transgressores e negadores da realidade. Meu pai, um militante de fato contra a ditadura, é uma autoridade em Gaston Bachelard, filósofo francês que defendia a negação das afirmações científicas vigentes para avanço da mesma. Bem, a grosso modo, pra resumir o que seria grande demais.

Minha mãe possui uma dissertação de mestrado que diz que a renúncia de Jânio Quadros foi completamente diferente do que eu e você aprendemos na escola, ou na TV, ou em qualquer lugar.

Voltando ao assunto 'corrida', no 1o semestre de 2009 estive na minha empreitada para completar a meia maratona Caixa do Rio de Janeiro, realizada em junho. A preparação foi feita da seguinte maneira. Durante a semana eu realizava 1 treino leve (5 a 7km no Maracanã), 1 intervalado (geralmente no aterro) e 1 tempo (8km em copa). Fui em tudo quanto foi site de corrida, fiz umas 10 planilhas dessas genéricas. Na metade do período de treino, chegou um livro gigante que eu havia encomendado. Ali encontrei mais planilhas de vários treinadores de renome. Tirei a média disso tudo e usei pra mim. Vale lembrar que eram todas muito parecidas, o que me confortava na efetividade. Para o domingo, o treino logo era ditado pelo meu pai, que além de médico e meu técnico na época de ping pong, já completou 6 maratonas. Cheguei ao máximo de 24km em longos.

No entanto, volta e meia eu me deparava com dores nas canelas. A explicação mais sensata na época era que eu não estava aquecendo corretamente.

No entanto, comecei a questionar algo nas planilhas. Se eu tenho que correr 8km num ritmo de 4:50/km *, a planilha não quer saber se eu dormi bem ou mal, se trabalhei ou descansei. Ela quer 8km num ritmo de 4:50/km. E eu que me esforce mais se tive noitada na noite anterior.

Estaria certo isso? O esforço maior pelo mesmo resultado vai causar a mesma melhoria?

A outra pergunta que me fiz veio da época em que eu nadava. Era especialista em 800m e 1500m, considerado longa distância para piscina. Nos treinos que meu técnico chamava de 'resistência anaeróbica', com tiros de 400m, eu rendia pouco e ele não se importava, porque eu devia render, de fato, em trabalhos aeróbicos. Lembrando isso, perguntei a mim mesmo: por que 1 treino anaeróbico por semana se a meia maratona, ainda mais para amador, é 99% aeróbica?

Só restava uma coisa a fazer. Perguntar, buscar, estudar.


* 4:50/km é uma medida que significa correr um ritmo capaz de cumprir a distância de um quilômetro em 4 minutos e 50 segundos.


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Treino em ritmo tranquilo por 45 minutos no maracanã, ainda na fase de adaptação ao novo tênis e a nova pisada, uma coisa ainda me afeta. Apesar do sumiço completo das dores nas canelas, mesmo que eu já comece a corrida em ritmo decente, e da plena diminuição do incômodo na região do ligamento colateral lateral do joelho esquerdo, os pés ficam dormentes após 35 minutos de corrida.

Resolvi radicalizar e ver se estava correndo corretamente. No último quilômetro, tirei o tênis e corri descalço. A dormência foi diminuindo, o prazer aumentou, e eu tive que olhar fixamente pra frente de vergonha porque todos me olharam espantados por ter corrido descalço.

Esse assunto será abordado em alguns capítulos pra frente.

Até amanhã. Hoje é dia de voltar aos longos na lagoa (pelo menos tentar até o joelho dar sinal de vida). Estou na dúvida do calçado que utilizarei. Adizero Pro com meia, sem meia ou o Wave Inspire, que dos modelos para pisar com o calcanhar que tenho, é o mais fino, ainda que o amortecimento dito pra ele ja tenha vencido.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Perdendo a vergonha

Foi assistindo (a primeira metade) de Julie and Julia que me senti renovado pra escrever nesse blog o que realmente passa pela minha cabeça. Meus acertos e erros nas corridas.

A Julie Powell, que no filme é linda, na vida real é uma gracinha que deve ter ganho uns quilinhos com seu projeto, pretende se dar uma vida melhor realizando a façanha de cozinhar todas as receitas do clássico livro da revolucionária Julia Child. Ela cria um blog pra contar o que acontece na empreitada.

No começo ela escrevia pro vento ou pras críticas da mãe. Aos poucos foi ganhando adeptos e se a história for toda real, hoje virou filme.

Acontece que eu fiquei meio envergonhado com a indagação: "quem vai querer ler a jornada de um ex-fumante, dos sofridos 5k em novembro de 2008 a classificação para Boston?"

Já penei tanto pelo meu jeito criança-que-mostra-pra-mãe-que-sabe-dar-estrela-pra-mostrar-que-é-ser-humano sendo interpretado como metido, egocêntrico e egoísta. Não queria reforçar essa imagem.

No entanto, ao ver e perceber a beleza e pureza do objetivo da Julie, e sua própria divulgação, que nada mais é que dizer "ei! eu sou ser humano e sei vencer minhas dificuldades", cheguei a conclusão que vale, ao menos pra mim, escrever sobre esse caminho traçado. O que mudei e o que continuo mudando, o que conquistei e o que ainda vem pela frente. Os erros e acertos.

Afinal de contas, correr a maratona, muitos fazem. São 45 mil em NY todos os anos, 7 mil no Rio, 25 mil em Los Angeles. Eu serei apenas mais um.

O fascinante, em cada feito de nossas vidas, é a jornada.


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Próximo post: a preparação diferente.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Resoluções de reflexões...

A partir da reflexão e da imaginação feitas nas corridas (2 horas correndo fazem você pensar bastante em tudo, até em teorias contra a criminalidade no Rio), pensei nas pessoas que tenho contato, em suas ações, pensei nos (curtos) relacionamentos que tive desde que me propus a voltar da Argentina e vi várias coisas que poderia ter percebido antes ou agido melhor. Algumas coisas eu já sabia, mas havia me esquecido.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Exercite a mente correndo

Eu juro que vou sair do tema corrida. Deixem só eu fazer essa ponte pra um assunto mais atual.

Queria escrever um pouco sobre os benefícios psicológicos da corrida. No post anterior vimos que a corrida gera pensamentos que tem como consequência, por exemplo, o abandono de vícios como cigarro. Quem vê minhas fotos no Orkut pode perceber a diferença no álbum 'Correndo por aí'. Algumas fotos com uma cara sofrida para completar 5km, ainda prejudicado pela herança do cigarro, e outras com cara séria, mas sem qualquer sinal de ofegância. Algumas ao final de uma meia maratona (21km).

Pois bem, que diferença! Eu abandonava treinos de 5km, chegava acabado em corridas de mesma distância... E agora eu faço 3 treinos fortes na semana. Dois de 22,5km e um de 30km!!! Sem qualquer sinal de dor ou cansaço no dia seguinte para o trabalho. Só pra lembrar, os outros 4 dias na semana são corridas de recuperação (não são trotes ou lentos) entre 45min a uma hora.

Podemos nos perguntar que influência isso exerce na nossa cabeça. De cara vemos nossa autoestima aumentar consideravelmente. Tudo bem que apenas corremos mais e melhor, só que nos vemos com tanta energia que nosso dia de trabalho tem maior produtividade e podemos fazer aquelas horas extras sem que o cansaço chegue tão rápido.

E durante a corrida? Ah... veja aqui esse vídeo no qual essa musa maravilhosa, pioneira salve salve Lorraine Moller palestra sobre a mente criativa. Ela diz que nossa parte mental racional é um grande organizador, mas não cria nada. Nossa mente criativa é que produz coisas novas. E corrida é um grande exercício para a porção criativa da nossa mente.

E com esse exercício vislumbrei várias coisas novas em minha vida. Pude ter mais detalhes de fatos passados e ter uma melhor leitura do que fiz, do que fizeram e dos resultados.

Infelizmente esse mundo de corrida business que existe quer te obrigar a várias coisas. Você é forçado a comprar o último modelo de tênis a 500 reais. Imagine só a situação. Todo ano sai uma versão nova da Nekas, o Xurupita 14. O 13, mais barato, sai de linha, é difícil achar. O 12 não tem mais. Já pensou em um tênis de 1974? Devia causar lesão em 5 minutos, dada a evolução dos tênis e a permanência dos problemas.

Hoje, você também se vê com as propagandas dos tocadores de mp3. Corremos enquanto ouvimos música. Nada contra, mas aquela nossa integração entre corpo e mente, exercício da mente criativa... Lamento informar mas fica bastante prejudicado.

Mas enfim, que fazer? A revista O2 faz pura apologia a essa forma comercial de correr, mas cede sua última página para as colunas do sensacional Nuno Cobra, que tenta promover esse equilíbrio e desenvolvimento mental através da corrida. Todos que leem acham lindo. Já por em prática...

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Do Master Coach...

Assim falou o Master Coach:

Sobre fumo e outros vícios

"Eu não sei porque temos que falar sobre isso. Quando nós colocamos pessoas pra começarem a correr, eu não falo nada sobre o assunto. Eu chego e digo: Faça o que você normalmente faz mas vai lá e corra. Eu sei qual reação psicológica isso causa. Eles param de fumar porque passam a ter interesse no próprio bem estar físico e nos fatores que o influenciam - comida, descanso, bebida, fumo, todas as coisas que podem ser um detrimento caso eles não tenham bom senso.

Uma vez que comecem a entrar em forma e algo competitivos - a maioria das pessoas é competitiva - o pensamento ocorre naturalmente, "se eu posso parar de fumar, eu posso ganhar daquele cara."

Hábitos estabelecidos há muito tempo que repentinamente passam a ser ruins proporcionam poderosos incentivos para a mudança."

Foi exatamente assim que parei. E olha que eu nem fazia idéia da existência do Master Coach

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Daqui a pouco...

Escrevi um post legal sobre rancor.

Quando eu voltar de viagem eu posto.